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Wagner Moura foi esnobado no Oscar em ano difícil para filmes estrangeiros, diz jornal britânico
- Author, BBC News Brasil em Londres
- Tempo de leitura: 3 min
Wagner Moura, que disputava a categoria de Melhor Ator no Oscar, foi esnobado ao perder a estatueta para Michael B. Jordan, de Pecadores, na avaliação do jornal The Guardian, um dos principais e mais respeitados do Reino Unido.
A avaliação é de Owen Myers, editor-adjunto da seção americana de artes do veículo, que já havia se posicionado a favor da vitória de O Agente Secreto, longa-metragem que levou Moura ao páreo na principal categoria da premiação, a de Melhor Filme.
Em uma reportagem com as principais conclusões da cerimônia, Myers diz que a derrota de Moura pareceu "um tratamento leviano de sua poderosa atuação como um ex-professor desgastado que enfrenta a ditadura".
O editor avalia que, em geral, os "filmes internacionais não conseguiram se destacar" neste ano, em comparação com a cerimônia de 2024, quando o francês Anatomia de uma Queda ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original.
Ou com o alemão Nada de Novo no Front, que, em 2023, recebeu quatro prêmios (Melhor Filme Internacional, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Design de Produção).
Essa dificuldade também se estendeu ao norueguês Valor Sentimental, que concorria em nove categorias, mas levou apenas uma estatueta — a de Melhor Filme Internacional, na qual derrotou O Agente Secreto.
"Em outro ano, Moura — assim como Renate Reinsve, de Valor Sentimental — poderia ter dominado as categorias principais de atuação. Resta como consolo o fato de que mais cinéfilos do que nunca puderam conhecer o brilho de ambos", escreveu Myers.
Na Espanha, o El Pais preferiu não opinar sobre o desempenho do longa-metragem na premiação, mas disse que "o sempre entusiasmado público brasileiro", apesar da frustração, "reagiu com humor".
O Agente Secreto deveria ter ganhado Melhor Filme, diz jornal
No início do mês, outro jornalista do The Guardian escreveu que O Agente Secreto é um "filme incrivelmente sofisticado, errante e verborrágico, sobre amor e paternidade, tirania e resistência e sobre acertar as contas com o passado".
"É digressivo e espirituoso e, ainda assim, em seu ato final escala de forma impressionante de um mistério lúgubre para uma tensão de suor frio e violência", acrescentou Peter Bradshaw, principal crítico de cinema do veículo.