Trump diz que objetivos no Irã estão 'perto de alcançados'; petróleo sobe e bolsas caem após discurso

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Os preços do petróleo dispararam e bolsas na Ásia caíram na manhã desta quinta-feira (2/4), em resposta a um pronunciamento do presidente americano, Donald Trump, que afirmou que os EUA atacarão o Irã "com extrema dureza".

A reação dos mercados indica que Trump, falando ao vivo da Casa Branca pela TV em discurso transmitido para todo o país, não conseguiu tranquilizar investidores de que a guerra estaria mais perto do fim e que a navegação pelo Estreito de Ormuz voltaria ao normal em breve.

Assim que ele terminou de falar, o preço do petróleo Brent, a referência global, subiu 5%, para US$ 106 o barril. Os mercados de ações asiáticos também começaram a cair. O índice Nikkei 225 do Japão caiu 1,5%, o Kospi da Coreia do Sul recuou 2,6% e o Hang Seng de Hong Kong teve queda de 1%.

Embora Trump tenha reiterado seu prazo de duas a três semanas para o fim de guerra, ele não ofereceu nenhuma atualização concreta aos investidores sobre como exatamente a guerra terminaria.

Em resposta ao pronunciamento de Trump, um porta-voz das Forças Armadas do Irã afirmou que os EUA e Israel têm atacado alvos "insignificantes".

Em um comunicado divulgado pela agência de notícias Tasnim, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), e pela agência semioficial Fars, ele disse que os dois países possuem informações "incompletas" sobre as capacidades e o equipamento militar de Teerã.

O porta-voz acrescentou que a produção militar iraniana "ocorre em locais que vocês desconhecem completamente", rejeitando alegações de Trump de que o arsenal do Irã foi amplamente reduzido.

'Próxima da conclusão'

No pronunciamento na noite de quarta-feira, Trump declarou que os EUA estão "se aproximando da conclusão" de seus objetivos militares na guerra contra o Irã e prometeu "terminar o trabalho" no curto prazo.

No discurso, ele descreveu vitórias "rápidas, decisivas e avassaladoras" na guerra contra o Irã, incluindo a morte de altos líderes iranianos e uma capacidade "dramaticamente reduzida" de lançar mísseis e drones.

"Os Estados Unidos estão vencendo, vencendo como nunca", acrescentou na declaração, pouco mais de um mês no início do conflito.

O presidente americano afirmou que a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones foi drasticamente reduzida. "A Marinha do Irã acabou, sua força aérea está em ruínas, seus líderes, a maioria deles… estão agora mortos", disse.

Mas ele afirmou que a mudança de regime não era o objetivo dos americanos. "Nunca falamos em mudança de regime, mas ela ocorreu por causa da morte de todos os líderes originais. Eles estão todos mortos. O novo grupo é menos radical e muito mais razoável."

Trump também disse que os EUA são autossuficientes e que os países que dependem de petróleo do Oriente Médio devem agora assumir a liderança para manter aberto o Estreito de Ormuz.

Os envios de petróleo e gás a partir do Golfo praticamente pararam depois que o Irã retaliou os ataques dos EUA e de Israel ameaçando atacar embarcações que tentem atravessar o Estreito de Ormuz — uma via marítima crucial para o comércio global .

Trump afirmou: "Aos países que não conseguem obter combustível — muitos dos quais se recusaram a se envolver na decapitação do Irã… criem um pouco de coragem tardia, dirijam-se até o estreito e simplesmente tomem o controle. Protejam-no".

Ele também defendeu que esses países passassem a comprar petróleo dos EUA.

Com menção rápida à Venezuela, que ele já disse diversas vezes no passado ser um modelo para operações militares dos EUA no exterior, ele afirmou que a operação em janeiro no país sul-americano foi uma ação rápida, "violenta" e que deixou um governo favorável no poder.

Isso ainda não aconteceu no Irã, que ao menos publicamente se recusa a reconhecer que tenha solicitado um cessar-fogo ou que as negociações estejam levando a um fim iminente das hostilidades.

Melissa Toufanian, que foi assessora sênior do ex-secretário de Estado Antony Blinken, disse à BBC News que acredita que o público americano provavelmente está "mais confuso" sobre a guerra com o Irã após o discurso de Trump.

"Não acho que haja um único americano que tenha assistido a esse discurso e vá sentir que existe um plano claro, que há um cronograma definido, que estamos mais seguros e protegidos", afirmou.

Nesta semana, Trump chegou afirmar ter iniciado negociações com o Irã, o que o governo iraniano nega.

Ele afirmou, em uma publicação na rede Truth Social, que o "novo presidente do regime" do Irã, cujo nome ele não especificou, havia pedido um cessar-fogo e que ele o consideraria "quando o estreito de Ormuz estiver aberto, livre e desimpedido".

Na quarta, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que a declaração do presidente Donald Trump de que o país pediu um cessar-fogo é "falsa e infundada".

Trump disse ainda que está considerando seriamente a saída dos EUA da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), a aliança militar ocidental.

Na terça-feira (31/3), durante conversa com jornalistas no Salão Oval, na Casa Branca, Trump havia dito que os EUA deixariam o Irã em "duas ou três semanas".

Segundo o presidente americano, o país tinha um objetivo, que era impedir o Irã de ter armas nucleares — e esse objetivo já foi alcançado.

"Estamos terminando o trabalho", afirmou.

Histórico do conflito

Os EUA e Israel lançaram sua campanha militar conjunta contra o Irã no dia 28 de fevereiro. Teerã imediatamente respondeu~, não apenas lançando mísseis contra Israel, mas também com bombardeios contra países do Golfo aliados dos americanos.

Os primeiros ataques dos EUA e Israel tiveram como alvo a infraestrutura de mísseis, instalações militares e os líderes do Irã na capital Teerã e em outras partes do país.

O líder supremo iraniano desde 1989, o aiatolá Ali Khamenei, foi morto durante a primeira onda de ataques.

As forças israelenses afirmam que dezenas de outras figuras de alto escalão do poderoso Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI) também foram mortas.

O filho de Ali Khamenei, Mojtaba Khamenei, foi nomeado seu sucessor no dia 8 de março.

O conflito sofreu rápida escalada, chegando até o Líbano, acumulando mortes e danos por toda a região.

Bahrein, Kuwait, Arábia Saudita, Catar, Omã e, em particular, os Emirados Árabes Unidos, foram alvejados por Teerã. Além de ataques a bases militares americanas na região, autoridades do Golfo disseram que o Irã visou infraestrutura civil, incluindo aeroportos, hotéis, áreas residenciais e instalações de energia.

O Irã vem usando o Golfo Pérsico e o Estreito de Ormuz — vias cruciais para a economia global — como principal ponto de influência.

Os preços do petróleo no mercado internacional tem oscilado e ultrapassaram, em alguns momentos, patamares dos US$ 110.

Os EUA e Israel também atacaram instalações fundamentais para o programa nuclear iraniano (que o Irã defende ser totalmente pacífico) e a infraestrutura de petróleo e gás do país.

Elas incluem a ilha de Kharg, que abriga um importante terminal petrolífero, considerado a tábua de salvação econômica do Irã.

Israel também atacou South Pars, que faz parte do maior campo de gás natural do mundo.