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29 de agosto, 2000 Publicado às 21h30 GMT

De Olho no Mundo
Co-produção BBC - Rádio Eldorado de SP
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_____________________________________________Anthony Giddens: "Brasil está no caminho certo"
Karl Mark, Tony Blair e Margareth Tatcher
Professor Giddens é o mentor da Terceira Via, o sistema alternativo adotado pelo premiê britânico, Tony Blair

O sociólogo Anthony Giddens acredita que o Brasil está progredindo na tentativa de equilibrar o bem estar social com a evolução econômica, e que o país está deixando para trás o fantasma do passado, criando uma economia estável, competitiva num âmbito mundial.

Em entrevista ao De Olho no Mundo desta terça-feira, dia 29, Giddens deu mais detalhes sobre sua teoria da Terceira Via, que influencia vários estadistas.

O sociólogo é diretor da prestigiada London School of Economics e escreveu dois livros sobre a sua teoria. Em visita ao Brasil, jantou na casa do presidente Fernando Henrique, que disse ser um grande admirador da Terceira Via.

Trata-se de uma teoria polêmica. Há que veja na Terceira Via uma teoria modernizadora e pragmática, há que veja nela uma conversa vazia.

Caminho difícil

O professor Anthony Giddens começou explicando o que entende por Terceira Via. "Todos os governos hoje em dia estão tentando encontrar uma relação diferente com a economia. Nos velhos tempos, os governos tentavam controlar as empresas diretamente. Agora, de maneira geral eles não fazem mais isso e o papel do governo é promover o investimento em pessoas, em infraestrutura, em desenvolvimento e tecnologia", explicou ele.

E completou: "Os governos dão as condições sociais para permitir o desenvolvimento de uma economia competitiva. Ainda existe um papel importante para o governo mas não é o mesmo e isso frequentemente implica em mudanças na natureza do governo e do Estado porque em muitos países, inclusive no Brasil, o Estado se torna grande demais e burocrático".

Para o diretor da London School of Economics, o ideal seria os estados caminharem pelo meio, tentando equilibrar o estado que busca o sucesso econômico a todo custo com o estado que investe no bem estar social.

No entanto, Anthony Giddens reconhece que o caminho para alcançar esse objetivo é complicado, e é mais fácil aplicar a terceira via em países do primeiro mundo. Estados como a Grã-Bretanha e o Canadá vem tentando modificar os seus conceitos de bem estar social, diminuindo os direitos dos beneficiados e aumentando seus deveres.

Giddens: "Brasil tem muito a aprender"

"O que o Brasil pode fazer", explica o sociólogo, "é aprender com os problemas e estratégias desenvolvidas em países com sistema assistencial para evitar alguns dos problemas e garantir que tenha um sistema previdenciário mais ativo e não passivo. Há muito o que aprender".

Sindicatos

O professor Anthony Giddens destacou outro aspecto importante de sua teoria, a necessidade de flexibilizar as leis e o mercado de trabalho. Nesse contesto, os sindicatos tem que mudar.

"O problema é se afastar de formas antigas de regulamentação, sem deixar os trabalhadores desprotegidos. Eu acho que uma nova mistura de flexibilização com segurança é o que todo mundo está procurando em toda a parte. O sindicato ainda tem um papel chave em tudo isso mas eu acho que é importante para ele não ficar demais na defensiva, porque é no interesse da força de trabalho realizar algumas dessas mudanças", disse o teórico.

No entanto, no caso do Brasil, a situação dos trabalhadores é um pouco mais complicada. O diretor da London School of Economics explica que, se o governo quer aplicar com sucesso as idéias da Terceira Via, têm de que ter uma pauta social bem definida.

"Já se sabe que há limites ao se tentar melhorar uma situação onde a desigualdade é radical", diz o professor. "Uma das formas é redistribuição de renda, mas ela não vai muito longe. Basicamente, é preciso investir num desenvolvimento econômico que inclua os pobres".

Continuando, Giddens disse que, quanto a isso, há diferenças claras entre as novas e as velhas políticas neo-liberais. "Agora, os governos tentam ativamente envolver os pobres, capacitá-los, investir em comunidades, investir especialmente nas mulheres. Acho que o governo brasileiro está tentando fazer essas coisas".

Globalização

Por fim, o pai da Teoria da Terceira Via falou sobre o impacto da globalização econômica sobre suas idéias, dando como exemplo a situação da América Latina.

"No caso da América Latina, a colaboração entre os países maiores do Cone Sul é crucial na promoção do desenvolvimento econômico e na proteção da democracia. Eu fiquei muito interessado, quando estava no Brasil, em participar nas discussões sobre o futuro do Mercosul. Todas essas coisas, a meu ver, são respostas apropriadas à globalização", disse Giddens.

E completou: "Eu acho que essa é uma das razões porque a União Européia é especialmente interessante. É essencialmente uma tentativa de responder à globalização acima do nível de Estado nacional, e isso está levando a mudanças pioneiras".

Para Anthony Giddens, agora vale a pena observar e ver que aspectos da Terceira Via podem ser adotados e modificados para se encaixar num contexto Sul Americano.

 

 

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