Capoeira: os judeus ultraortodoxos apaixonados pela cultura brasileira em Israel
à uma revolução.
âNĂŁo Ă© comum ver um cara como eu ou como meus alunos pulando por aĂâ, diz Miki Chayat, fundador de uma escola de capoeira com mais de 300 alunos em Israel.
A capoeira Ă© uma manifestação da cultura popular brasileira que combina jogo, luta e dança, com o acompanhamento de instrumentos musicais, palmas, cantos e coros. Ela foi introduzida no paĂs por africanos escravizados.
Para Miki, virou motivo de curiosidade e de dedicação.
O israelense conta que tinha ainda 9 anos quando viu pela primeira vez seu tio, que nĂŁo Ă© religioso, fazendo movimentos acrobĂĄticos incomuns.
âEu disse: âUau, o que Ă© isso?â Ele respondeu: âĂ capoeiraâ.â
O menino levava uma vida normal de estudante da Yeshiva â como Ă© chamada a escola judaica para estudos religiosos. Isso inclui acordar Ă s 7h, orar e voltar para estudar a TorĂĄ, o conjunto de livros base da religiĂŁo Judaica, atĂ© a meia-noite.
E o interesse pela capoeira o levou a usar as pausas nos estudos na escola religiosa para melhorar seus movimentos.
âEu almoçava em 5 minutos e saĂa correndo para praticar.â
Miki âjogavaâ por toda a parte e isso ia desde a varanda e o parque atĂ© a rua.
NĂŁo demorou para os outros jovens ficarem curiosos.
âComo vocĂȘ faz isso? NĂłs queremos fazer tambĂ©m. VocĂȘ ensina a gente?â, diziam eles.
Mas nem tudo mundo o apoiou no começo. Alguns rabinos ameaçaram seus alunos de expulsão da Yeshiva.
âUm dos rabinos me disse: âvamos colocar as pessoas contra vocĂȘâ. EntĂŁo eu levei o meu rabino atĂ© ele, e tivemos uma boa conversa. No fim, o filho do rabino tambĂ©m veio estudar capoeiraâ, conta ele.
Miki abriu uma escola de capoeira para judeus ultraortodoxos e hoje tem mais de 300 alunos.
Ele, que jĂĄ esteve vĂĄrias vezes no Brasil e aprendeu a falar portuguĂȘs, diz que, embora nĂŁo seja fĂĄcil entender outra cultura, a capoeira os ajuda a entender as pessoas que nĂŁo sĂŁo como eles.

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