Israel lança nova onda de ataques contra Teerã: como a guerra se desenrolou até o 5º dia
Senado americano rejeitou medida que limitaria poderes de guerra de Trump. No Oceano índico, um navio iraniano foi atingido por torpedo americano; pelo menos 80 pessoas morreram e dezenas estão desaparecidas.
As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmam ter realizado uma "onda em larga escala" de ataques contra Beirute, a capital do Líbano.
O Irã iniciou uma operação com drones e mísseis contra alvos no "coração" de Tel Aviv, segundo a mídia estatal, enquanto a Arábia Saudita afirma ter interceptado ataques.
Isso ocorre enquanto o secretário de defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, diz que os ataques contra o Irã estão prestes a "aumentar drasticamente".
Cobertura ao Vivo
Editada por Marina Rossi, Rute Pina, Iara Diniz, Julia Braun, Pedro Martins e Daniel Gallas, da BBC News Brasil em Londres e em São Paulo
Encerramos por hoje a cobertura em tempo real
Finalizamos a cobertura ao vivo desta quarta-feira sobre os desdobramentos da Guerra do Irã.
Retomamos na quinta-feira a cobertura em tempo real.
Você pode continuar acompanhando os desdobramentos sobre o tema em nossas reportagens e análises, em nosso site e nas redes sociais da BBC News Brasil.
Conflito já provoca 'deslocamento significativo' de pessoas na região
A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) afirmou que a intensificação da violência no Oriente Médio e em outras regiões já provocou um deslocamento significativo de pessoas.
Segundo a agência, cerca de 100 mil pessoas deixaram Teerã nos dois primeiros dias após os ataques.
No Líbano, o ACNUR informou que 58 mil pessoas estão abrigadas em locais coletivos.
Na Síria, a agência disse que quase 10 mil sírios e cerca de mil libaneses cruzaram a fronteira vindos do Líbano em 2 de março — quase três vezes a média diária.
Crédito, Getty Images
Pentágono confirma nome do quinto soldado morto em ataque no Kuwait
As Forças Armadas dos Estados Unidos confirmaram o nome de outros dois soldados mortos em um ataque com drone iraniano no Kuwait, nos primeiros dias da guerra.
Um deles é o major Jeffrey O’Brien ingressou na Reserva do Exército como oficial do Corpo de Comunicações em 2012. Ele foi enviado ao Kuwait em 2019, segundo o comunicado.
O segundo era o suboficial Robert M. Marzan, de 54 anos, de Sacramento, na Califórnia. De acordo com o comunicado do Pentágono, Marzan “estava no local do incidente em 1º de março de 2026, em Porto Shuaiba, no Kuwait, e acredita-se que tenha morrido no local”
Ao todo, seis militares americanos morreram quando um “sistema aéreo não tripulado” conseguiu escapar das defesas aéreas e atingiu um centro de comando em Port Shuaiba, no Kuwait, no domingo.
O Comando Central dos EUA informou inicialmente que três soldados haviam morrido no ataque. No entanto, na segunda-feira, as autoridades confirmaram que o número de mortos dobrou: uma pessoa não resistiu aos ferimentos e outros dois corpos foram encontrados nos escombros.
Crédito, Exército dos EUA
Legenda da foto, Jeffrey O’Brien foi enviado ao Kuwait em 2019
Navio petroleiro é atingido na costa do Kuwait, diz monitor marítimo do Reino Unido
Um navio petroleiro na costa do Kuwait foi atingido por uma "grande explosão", causando um vazamento de óleo, informou a agência britânica de segurança marítima UKMTO.
"Há óleo na água proveniente de um tanque de carga, o que pode ter algum impacto ambiental. O navio começou a afundar, não há relatos de incêndios e a tripulação está sã e salva", disse a UKMTO.
O petroleiro relatou ter visto uma pequena embarcação fugindo das proximidades após a explosão, acrescentou a UKMTO.
Arábia Saudita afirma ter interceptado mísseis
Autoridades da Arábia Saudita afirmaram ter interceptado três mísseis de cruzeiro.
"Três mísseis de cruzeiro foram interceptados e destruídos nos arredores da cidade de Al-Kharj", publicou o Ministério da Defesa da Arábia Saudita nas redes sociais.
Três mortos após ataques de Israel perto de Beirute
Três pessoas foram mortas e outras seis ficaram feridas após dois ataques israelenses próximos à capital do Líbano.
A imprensa libanesa informou que os ataques ocorreram na estrada para o Aeroporto Internacional de Beirute-Rafik Hariri (RFHA), segundo o ministério da Saúde do país.
Senado dos EUA rejeita medida que limitaria poderes de guerra de Trump
Por Ana Faguy, diretamente do Capitólio
A resolução que limitaria os poderes de guerra de Donald Trump, reduzindo sua capacidade de ordenar novas ações militares no Irã, acaba de ser rejeitada por 47 votos a 52 no Senado americano.
Parlamentares votaram quase que inteiramente de acordo com suas filiações partidárias. No final, o senador Rand Paul juntou-se aos democratas para votar a favor da limitação dos poderes militares de Trump no Irã, enquanto o senador John Fetterman juntou-se aos republicanos para votar contra.
O Congresso é o único ramo do governo dos EUA que pode declarar guerra oficialmente.
Uma votação sobre a mesma questão está prevista para acontecer nesta quinta-feira na Câmara dos Deputados.
Vinte mil marinheiros retidos após ameaças do Irã, afirma órgão da ONU
Por Jonathan Josephs, repórter de Negócios da BBC
Cerca de 20 mil marinheiros estão retidos devido aos acontecimentos no Estreito de Ormuz, informou à BBC o diretor-geral da Organização Marítima Internacional (OMI) da ONU, Arsenio Dominguez.
Eles estão retidos porque as ameaças do Irã de atacar navios praticamente paralisaram a atividade marítima na região. Dominguez também afirmou que outros 15 mil passageiros de cruzeiros estão sendo afetados.
O estreito é uma rota estratégica para o comércio global, com cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo passando por ali em condições normais.
Na segunda-feira, o Irã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçou incendiar navios que tentassem passar por lá.
Hezbollah 'não vai se render', diz líder de grupo apoiado pelo Irã
Crédito, Anadolu via Getty Images
Por Alice Cuddy
O líder do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou que o grupo apoiado pelo Irã "não vai se render", enquanto a guerra com Israel continua a escalar.
Em seu primeiro discurso público desde que o conflito regional se espalhou para o Líbano na segunda-feira, Qassem declarou que o Hezbollah havia cumprido um acordo de cessar-fogo firmado no final de 2024, mas que Israel "não respeitou nenhuma de suas cláusulas".
"Concordamos com a solução diplomática e a consideramos uma oportunidade para o Estado assumir sua responsabilidade, mas já dissemos repetidamente que existem limites para a paciência", disse ele em pronunciamento televisionado.
"Nossa escolha é enfrentá-los até o extremo sacrifício, até os limites mais distantes, e não vamos nos render", acrescentou.
O Hezbollah lançou drones contra Israel na segunda-feira, após ataques dos EUA e de Israel que mataram o líder supremo do Irã, o iatoalá Ali Khamenei.
Israel respondeu com ataques aéreos em larga escala e enviou tropas para o sul do Líbano, forçando dezenas de milhares de civis a fugir.
Chanceler do Catar cobra do Irã 'cessar imediato' dos ataques
Crédito, AFP via Getty Images
O ministro das Relações Exteriores do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, conversou por telefone com seu homólogo iraniano, Abbas Araghchi, pela primeira vez desde o início do conflito.
Autoridades árabes demonstram indignação após o Irã lançar centenas de mísseis e drones contra países vizinhos — incluindo o Catar — mirando bases militares dos Estados Unidos, mas também atingindo áreas civis e infraestrutura energética.
Segundo comunicado oficial do Catar, Al Thani "rejeitou categoricamente" a afirmação de Araghchi de que os ataques recentes do Irã tinham como alvo apenas interesses americanos, e não o Catar.
Ele acusou Teerã de "buscar prejudicar seus vizinhos e arrastá-los para uma guerra que não lhes pertence" e exigiu "cessar imediato" dos ataques.
'Nossa posição não mudou': ministro espanhol rebate Casa Branca sobre uso de bases militares do país
Crédito, EPA/Shutterstock
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, afirmou que a posição do seu governo sobre a guerra "não mudou" após a Casa Branca ter declarado que a Espanha concordou em cooperar com as forças armadas dos EUA.
Na terça-feira, o presidente Donald Trump ameaçou suspender todas as relações comerciais com a Espanha depois que o país negou o pedido dos EUA de usarem suas bases militares como parte da operação no Irã.
Albares declarou à rádio espanhola Cadena SER: "A posição do governo espanhol sobre a guerra no Oriente Médio, o bombardeio do Irã e o uso de nossas bases não mudou em nada."
Ele acrescentou: "Nossa posição de 'não à guerra' permanece clara e inequívoca."
Macron diz que pediu ao primeiro-ministro de Israel para 'evitar uma ofensiva terrestre' no Líbano
Crédito, EPA/Shutterstock
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou ter se reunido hoje com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, com o presidente libanês, Joseph Aoun, e com primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, para discutir a situação "altamente preocupante" no Líbano.
Os ataques entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, continuam a se intensificar no Líbano, com relatos de que militares israelenses entraram em diversas aldeias libanesas próximas à Linha Azul — a fronteira demarcada pela ONU entre os dois países.
O Hezbollah também lançou foguetes e drones contra Israel, em resposta aos ataques conjuntos de EUA e Israel contra o Irã.
Em uma publicação nas redes sociais, Macron declarou: "Reafirmei a necessidade de o Hezbollah cessar imediatamente seus ataques contra Israel e outros países".
Ele acrescentou que "da mesma forma, pedi ao primeiro-ministro israelense que preserve a integridade territorial do Líbano e se abstenha de uma ofensiva terrestre".
Macron afirmou que a França continuará apoiando as forças armadas libanesas para acabar com a ameaça representada pelo Hezbollah e está tomando medidas para apoiar os civis libaneses deslocados.
Israel inicia nova 'onda de ataques' em Teerã, afirmam militares
Militares israelenses afirmam ter lançado mais uma série de ataques na capital iraniana, Teerã.
"As Forças de Defesa de Israel iniciaram uma nova onda de ataques contra infraestrutura militar pertencente ao regime iraniano em Teerã", disseram em comunicado.
O comunicado não informa a localização específica dos ataques, mas diz que mais detalhes serão divulgados posteriormente.
A agência de notícias AFP informou que seus jornalistas testemunharam uma forte explosão na capital do Irã na noite desta quarta-feira (horário local).
Mais cedo, os militares israelenses anunciaram que sua força aérea havia concluído um "ataque em larga escala" contra um complexo na zona leste de Teerã que abrigava centros de comando e de segurança interna.
Casa Branca afirma que o Irã está 'pagando com sangue' por crimes contra os EUA
Durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (4/3), que durou cerca de 45 minutos, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, falou quase exclusivamente sobre o Irã.
Aqui estão os principais pontos da coletiva:
Leavitt repetiu muitas das declarações já dadas por outros membros do governo: que os objetivos da operação dos EUA no Irã são eliminar suas ambições nucleares e destruir sua marinha.
Os líderes iranianos estão "pagando com sangue", disse ela, pelo que chamou de crimes contra os EUA.
Questionada sobre qual "ameaça iminente" justificaria um ataque dos EUA ao Irã, Leavitt não respondeu diretamente à pergunta, mas disse que a "sensação baseada em fatos" de Trump era de que o Irã representava uma ameaça aos EUA.
Ela também afirmou que o regime iraniano "mentiu e protelou" as negociações antes do ataque inicial entre EUA e Israel para aumentar seu arsenal de armas balísticas.
Sobre quem poderia ser o sucessor do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, Leavitt disse "teremos que esperar para ver".
BBC questiona secretária de imprensa dos EUA sobre escola bombardeada
O correspondente da BBC em Washington, Daniel Bush, questionou a secretária de imprensa dos EUA, Karoline Leavitt, sobre o que as autoridades iranianas disseram ter sido um ataque conjunto EUA-Israel a uma escola no sul do Irã, que teria deixado mais de 160 pessoas mortas no último sábado (28/2).
A BBC News não conseguiu verificar de forma independente o número de mortos divulgado pelas autoridades iranianas.
"Você pode dizer se há alguma evidência de que não foi um ataque dos EUA? E existe alguma avaliação sobre o possível (ou) provável papel de Israel nisso, se é que houve algum?", questionou.
Leavitt respondeu que o Departamento de Defesa está "investigando o assunto", mas reiterou declarações anteriores de autoridades americanas de que "as forças armadas dos Estados Unidos não têm como alvo civis."
Atacar o Irã foi 'uma decisão certa e eficaz', diz secretária de imprensa da Casa Branca
Crédito, Reuters
Karoline Leavitt, secretária de imprensa da Casa Branca, foi questionada sobre a "ameaça iminente" que, segundo o governo dos EUA, exigiu um ataque ao Irã.
Um repórter também citou observações do primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, feitas mais cedo, de que não existia “um plano viável e bem pensado”.
“Rejeito completamente a premissa da sua pergunta”, respondeu Leavitt. “O presidente Trump não toma decisões no vácuo.”
Ela acrescentou que “a convicção do presidente, baseada em fatos”, era de que o Irã representava uma ameaça aos Estados Unidos. “Isso obviamente se provou a decisão certa e eficaz”, disse Leavitt.
Já o correspondente da BBC em Washington, Daniel Bush, perguntou sobre declarações de autoridades iranianas de que um ataque conjunto dos EUA e de Israel atingiu uma escola no sul do Irã — um ataque que Teerã afirma ter matado mais de 160 pessoas, em sua maioria crianças.
A BBC News não conseguiu verificar de forma independente o número de mortos fornecido pelas autoridades iranianas.
Leavitt respondeu que o Departamento de Defesa está “investigando o caso”, mas reiterou declarações anteriores de autoridades americanas de que “as forças armadas dos Estados Unidos não têm como alvo civis”.
O episódio do ataque à escola tem sido destacado por líderes de direitos humanos e pela ONU, que pediram investigações detalhadas sobre o ocorrido, classificando ataques a instituições educacionais como possíveis violações do direito internacional humanitário.
Espanha concorda em cooperar com os militares dos EUA após críticas de Trump, diz secretária
Karoline Leavitt, secretária de imprensa dos Estados Unidos, afirmou que a Espanha concordou em cooperar com as Forças Armadas do país.
Nesta terça, Trump ameaçou suspender todo o comércio com a Espanha depois que o país impediu os EUA de utilizarem suas bases militares como parte da operação no Irã.
Agora, segundo Leavitt, a Espanha ouviu "alta e claramente" a mensagem de Trump. Ela acrescentou que o presidente americano espera que todos os aliados europeus cooperem com a operação.
"A Operação Epic Fury (os EUA apelidaram a operação militar de "Fúria Épica") abriu um novo caminho que garantirá melhor a segurança dos Estados Unidos e do nosso povo", afirmou.
“Não se enganem: eliminar esses terroristas brutais é bom para a América e torna o mundo um lugar muito mais seguro”, acrescentou a secretária de imprensa, ao prestar homenagem aos militares americanos mortos desde o início da operação.
Leavitt afirmou que mais de 17.500 americanos retornaram em segurança aos EUA vindos do Oriente Médio desde o início da operação de evacuação de civis na região.
Secretária de imprensa diz que EUA querem 'extinguir permanentemente' ambições nucleares do Irã
Crédito, Getty Images
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, fala neste momento a jornalistas em Washington DC.
Ela afirmou que as operações dos Estados Unidos no Irã têm como objetivo "extinguir permanentemente suas ambições nucleares".
Leavitt detalhou metas que vêm sendo mencionadas por outros integrantes do governo nos últimos dias — entre elas, destruir os mísseis balísticos iranianos e aniquilar sua Marinha.
Segundo ela, os EUA já destruíram mais de 20 embarcações — informação que já havia sido divulgada anteriormente pelo Comando Central dos EUA.
Leavitt disse ainda que os líderes iranianos estão "pagando com sangue" pelo que chamou de crimes contra os Estados Unidos, antes de mencionar ações do regime desde a Revolução Iraniana de 1979.
Ela afirmou que presidentes anteriores foram "fracos demais" diante do Irã, mas que "Trump é finalmente um homem de ação".
Iraque é afetado por apagão nacional, diz Ministério da Eletricidade
O Ministério da Eletricidade do Iraque informou que todo o país foi afetado por um apagão total.
“A rede elétrica foi completamente desligada em todas as províncias iraquianas”, afirmou a pasta, segundo a Agência de Notícias Iraquiana (INA).
As causas da interrupção ainda estão sob investigação, informou o ministério em nota obtida pela agência Reuters.
Presidente do Irã diz a países vizinhos que 'não teve escolha' a não ser retaliar os EUA
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou a países vizinhos do Golfo que o Irã “não teve escolha” a não ser responder aos ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Depois que os EUA e Israel lançaram uma campanha de ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, o país respondeu disparando centenas de mísseis e drones contra seus vizinhos árabes.
Isso incluiu ataques a bases militares dos EUA e a infraestruturas civis e energéticas em países do Golfo — entre eles os Emirados Árabes Unidos, o Catar e Omã.
Em uma publicação no X, Pezeshkian disse aos países vizinhos que o Irã se esforçou, “com a ajuda de vocês”, para evitar uma guerra.
Mas acrescentou que os ataques dos EUA e de Israel deixaram o Irã “sem escolha a não ser nos defendermos”.
O presidente iraniano afirmou ainda que respeita a soberania de seus vizinhos e que acredita que a paz na região “deve ser garantida pelos países da própria região”.