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Ataque do Irã atinge cidade próxima a instalações nucleares de Israel e fere dezenas
- Author, Sebastian Usher
- Role, De Jerusalém para a BBC
- Tempo de leitura: 3 min
Autoridades de Israel disseram que estão investigando como um míssil iraniano ultrapassou suas defesas aéreas e atingiu a cidade de Dimona, no sul do país, ferindo pelo menos 47 pessoas.
O que está claro, no entanto, é por que Teerã estava mirando naquela área.
A cerca de 13 km de Dimona, existe uma instalação que há muito é reconhecida como detentora do arsenal não declarado de armas nucleares de Israel.
Oficialmente, o local se concentra exclusivamente em pesquisa. Mas, por cerca de seis décadas, tem sido um segredo aberto que Israel desenvolveu uma bomba nuclear ali, mesmo que cada governo israelense tenha mantido uma posição ambígua sobre isso.
Isso significa que Israel é a única potência nuclear no Oriente Médio. Portanto, qualquer indicação de que a área esteja sendo alvo de um ataque é levada com a máxima seriedade por Israel.
O próprio Irã confirmou a autoria do ataque, afirmando que alvejou Dimona em resposta ao que descreveu como um ataque anterior da campanha aérea de EUA e Israel contra sua instalação nuclear em Natanz.
Tanto Israel quanto os EUA definiram a eliminação de qualquer possível capacidade iraniana de desenvolver uma bomba nuclear como o principal objetivo da guerra.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse estar ciente sobre um ataque com mísseis ocorrido próximo ao centro nuclear do Negev.
A organização diz que "não recebeu qualquer indicação de danos ao centro de pesquisa nuclear", acrescentando que nenhum nível anormal de radiação foi detectado.
O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, afirmou que "se deve observar a máxima contenção militar, em particular nas proximidades de instalações nucleares".
O ataque em Israel ocorreu após autoridades iranianas informarem que a instalação nuclear de Natanz, no centro do Irã, foi atacada na manhã de sábado.
Em um comunicado divulgado pela mídia iraniana, a A Organização de Energia Atômica do Irã (AEOI) indicou que "avaliações técnicas e especializadas" foram realizadas para determinar se houve contaminação radioativa, e os resultados mostraram que "nenhum vazamento de materiais radioativos foi relatado na instalação e não há perigo para os moradores das áreas vizinhas".
A organização condenou o ataque, afirmando que ele constitui uma "violação do TNP (Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares) e de outros regulamentos relacionados à segurança nuclear".
Após o relato do ataque por Teerã, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) pediu "autocontrole militar para evitar qualquer risco de acidente nuclear".
"Nenhum aumento nos níveis de radiação foi relatado fora das instalações. A AIEA está analisando o relatório", afirmou em um comunicado à imprensa publicado na plataforma de mídia social X.
Outro ataque
Após o ataque em Dimona, houve uma nova explosão em Arad, também no sul de Israel. O serviço de emergência do país afirma estar prestando atendimento a um "grande número de vítimas" após o ataque com míssil.
Entre as vítimas estão uma menina de cinco anos em estado grave, 11 em estado moderado e várias com ferimentos leves, segundo o serviço.
O órgão diz que suas equipes continuarão a "buscar por mais feridos".
Após os ataques realizados ao longo do sábado, o presidente dos EUA, Donald Trump, publicou na rede social Truth Social que as forças americanas "destruirão" as usinas de energia do Irã se o país não abrir o estreito de Ormuz "sem ameaças" dentro de 48 horas.
"Se o Irã não ABRIR COMPLETAMENTE, SEM AMEAÇAS, o Estreito de Ormuz, dentro de 48 HORAS a partir deste exato momento, os Estados Unidos da América atacarão e destruirão suas diversas USINAS DE ENERGIA, COMEÇANDO PELA MAIOR!", disse Trump.