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Fazer jejum prolongado pode aumentar a produtividade no trabalho?
- Author, Peter Bowes
- Role, Da BBC Capital
A prática do jejum intermitente vem conquistando cada vez mais adeptos em todo o mundo, atraĂdos pela ideia de cortar calorias drasticamente em certos dias da semana. Uma prova Ă© a popularidade da chamada "dieta 5:2", que defende uma alimentação normal durante cinco dias e uma ingestĂŁo mĂnima nos outros dois.
Estudos cientĂficos realizados nos Estados Unidos reuniram evidĂŞncias de que a restrição de calorias pode trazer benefĂcios para a saĂşde a longo prazo, como um sono de melhor qualidade ou menos variações de humor, por exemplo.
Mas, agora, uma comunidade de especialistas em tecnologia da CalifĂłrnia acredita ter encontrado mais uma vantagem desse tipo de jejum.
Segundo eles, a produtividade aumenta nos dias em que não se alimentam, quando relatam ter uma sensação de maior agilidade mental e capacidade de concentração.
Com o nome de WeFast ("Nós jejuamos", em tradução literal), o grupo reúne os chamados "biohackers", pessoas que argumentam que manipular a biologia do corpo humano pode levar a uma vida mais saudável e satisfatória.
Mais produtivos
Eles praticam vários tipos de jejum, desde um intervalo de 36 horas sem comida a um radical perĂodo de 60 horas. Outros jejuam por 23 horas todos os dias. A ideia Ă© sincronizar o fim do jejum com um cafĂ© da manhĂŁ comunitário no meio da semana.
A start-up Nootrobox, de San Francisco, deu inĂcio ao grupo online. A empresa fabrica nootrĂłpicos, tambĂ©m conhecidos como "smart drugs" - compostos criados legalmente com o objetivo de melhorar funções cognitivas.
Apesar de o jejum não ser obrigatório na empresa, todos os funcionários deixam de se alimentar às terças-feiras. Na manhã de quarta-feira, eles se encontram com outros membros do WeFast, que já são mais de 1,2 mil, para o esperado café da manhã.
A refeição realizada em uma lanchonete de bairro também funciona como reunião de apoio, em que os adeptos trocam experiências e dicas sobre jejum.
"Para mim, a melhor parte Ă© saber que todos nĂłs notamos que estamos mais produtivos no trabalho", conta Geoff Woo, cofundador e CEO da Nootrobox.
O benefĂcio de queimar gordura
É possĂvel que eles tenham razĂŁo. Um estudo realizado pela Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos, revelou que diferentes formas de jejuar podem ter um efeito significativo sobre o corpo humano, promovendo uma vasta gama de mudanças a nĂvel celular e atingindo muitos sistemas metabĂłlicos, como o fornecimento de combustĂvel para o cĂ©rebro ou a maneira como o organismo reage ao estresse.
Por enquanto, as evidĂŞncias sobre o impacto no desempenho no trabalho ainda vĂŞm apenas das experiĂŞncias de adeptos do jejum intermitente. Mas muitos deles tĂŞm relatado se sentirem mais alertas, algo semelhante ao relatado por praticantes de corrida.
Segundo a pesquisa da John Hopkins, coordenada por Mark Mattson, professor de neurociĂŞncia, a causa principal sĂŁo as mudanças bioquĂmicas no cĂ©rebro. De acordo com Mattson, o estudo sugere que o jejum leva a uma melhora na capacidade cognitiva.
Já Eric Verdin, pesquisador no Instituto Gladstone, em San Francisco, lembra que alguns cientistas acreditam que uma maior sensação de bem-estar é gerada pela queima de gordura acumulada no organismo em vez dos carboidratos contidos nos alimentos - um processo conhecido como cetose.
Prática com cautela
Mas e quanto à irritabilidade, às contrações no estômago e ao mal-estar que podem acompanhar um jejum?
Bem, os adeptos da prática acreditam que é só uma questão de se habituar. "Quando alguém que nunca jejuou começa a fazer isso, é natural sentir náuseas, fraqueza e desconforto", explica Verdin.
"Mas, ao repetir o jejum com frequĂŞncia, há uma mudança no metabolismo de todo o organismo, e tudo se adapta. Essa adaptação, creio, Ă© um dos motivos pelo qual a pessoa se sente cada vez melhor ao jejuar. AtĂ© chegar a um ponto, depois de quatro ou cinco jejuns, em que o indivĂduo se sente muito melhor do que quando nĂŁo jejuava", diz o cientista.
No entanto, a prática nem sempre é aconselhável, principalmente entre gestantes, mulheres que estão amamentando, diabéticos e pessoas com distúrbios de metabolismo.
Quando o organismo já está sob estresse e sem funcionar normalmente, limitar a nutrição pode piorar a situação. Ou seja, quem quiser experimentar o jejum intermitente deve se consultar com um médico antes.
- Leia a versĂŁo original desta reportagem (em inglĂŞs) no site da BBC Capital.