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Irã diz que 'fechará completamente' Estreito de Ormuz se EUA atacarem usinas de energia iranianas
Em um comunicado divulgado pela mídia iraniana neste domingo (22/3), a Guarda Revolucionária Islâmica — uma das principais forças militares e políticas do Irã — afirmou que "fechará completamente" o Estreito de Ormuz caso os EUA ataquem a infraestrutura energética iraniana.
O presidente dos EUA, Donald Trump, havia ameaçado anteriormente "destruir" as usinas de energia do Irã se o estreito não fosse aberto em 48 horas.
A Guarda Revolucionária Islâmica disse ainda que, se os EUA cumprirem as ameaças de atacar o setor energético iraniano, fecharão o estreito e não o reabrirão "até que nossas usinas de energia destruídas sejam reconstruídas".
Além disso, a entidade disse que atacará usinas de energia, infraestrutura energética e de tecnologia de informação em Israel "amplamente". Também afirmou que atacará "quaisquer empresas semelhantes na região" que tenham acionistas americanos.
"As usinas de energia dos países da região que abrigam bases americanas serão nossos alvos legítimos", acrescentou o órgão.
"Não começamos a guerra e não a começaremos agora, mas se o inimigo prejudicar nossas usinas de energia, faremos tudo para defender o país e os interesses do nosso povo", afirmou.
No sábado (21/3), Trump, disse que os Estados Unidos "aniquilarão" as instalações nucleares do Irã se o Estreito de Ormuz não for aberto para navegação internacional dentro de um prazo de 48 horas
Trump publicou em sua plataforma Truth Social às 19h44 de Washington (20h44 no horário de Brasília) de sábado (21/3) — o que significa que o Irã teria até 19h44 (20h44) de segunda-feira (23/3) para cumprir com o prazo estabelecido pelo presidente americano.
Trump publicou: "Se o Irã não ABRIR COMPLETAMENTE, SEM AMEAÇAS, o Estreito de Ormuz, dentro de 48 HORAS a partir deste exato momento, os Estados Unidos da América atacarão e destruirão suas diversas USINAS DE ENERGIA, COMEÇANDO PELA MAIOR!"
O Estreito de Ormuz é vital para o transporte global de petróleo. O bloqueio e os ataques do Irã contra navios no Estreito — que começaram depois dos ataques dos EUA e Israel ao país — fizeram com que os preços do petróleo disparassem nas últimas semanas. Em tempos de paz, cerca de 20% das remessas mundiais de petróleo e gás natural liquefeito (GNL) passam pelo Estreito.
Após o alerta de Trump, a mídia estatal do Irã noticiou que as forças armadas do país atacariam a infraestrutura energética ligada aos EUA em toda a região do Golfo, caso as instalações de combustível e energia do próprio Irã fossem atingidas.
Já o representante do Irã na Organização Marítima Internacional (OMI) da ONU afirmou que o Estreito de Ormuz permanece aberto a toda a navegação, exceto para embarcações ligadas a "inimigos do Irã", segundo notícia da agência semioficial iraniana Mehr.
Ali Mousavi, representante de Teerã na OMI, disse que a passagem pelo Estreito é possível mediante a coordenação de medidas de segurança com o Irã.
"A diplomacia continua sendo a prioridade do Irã. No entanto, a cessação completa da agressão, bem como a confiança mútua, são ainda mais importantes", disse Mousavi. Ele disse que os ataques israelenses e americanos contra o Irã estão na "raiz da situação atual" no Estreito de Ormuz.
O deputado iraniano Alaeddin Boroujrrdi afirmou neste domingo (22/3) na televisão estatal que alguns navios que atravessam o Estreito de Ormuz estão sendo taxados em "US$ 2 milhões" pelo Irã.
Ele disse que um "novo sistema" está sendo imposto no Estreito e que "a guerra tem um preço", acrescentando que isso demonstra a "autoridade e o direito que a República Islâmica do Irã possui" no local.
A BBC não conseguiu verificar de forma independente a alegação do deputado iraniano sobre a taxa.
No domingo, foi noticiada mais uma explosão nas proximidades de um navio cargueiro, a 27 quilômetros ao norte de Sharjah, nos Emirados Árabes, de acordo com a United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), a autoridade britânica de navegação.
O comandante do navio relatou uma explosão "causada por um projétil desconhecido" perto da embarcação. Todos os tripulantes estão em segurança, disse a UKMTO.
Instalações nucleares de Israel
Neste domingo, os países do Oriente Médio continuam relatando múltiplos ataques na região.
Os Emirados Árabes e a Arábia Saudita afirmam ter interceptado ataques nesta manhã, com dois mísseis caindo em uma área desabitada, segundo a Arábia Saudita. Os Emirados Árabes mantêm um controle rígido sobre as informações – filmar quaisquer ataques ou danos é ilegal. O país afirma que a maioria dos ataques foi interceptada.
Em Israel, mais de 160 pessoas ficaram feridas, algumas com gravidade, segundo autoridades de emergência, após ataques iranianos no sábado.
Segundo as autoridades israelenses, 84 pessoas estão recebendo tratamento em Arad e outras 78 em Dimona, após mísseis atingirem na noite de sábado as duas cidades, que ficam próximas a uma instalação nuclear.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirma não ter conhecimento de danos à instalação de pesquisa nuclear localizada a cerca de 13 km de Dimona.
A TV estatal iraniana havia informado anteriormente que os ataques foram uma resposta a um ataque de Israel à instalação nuclear de Natanz, no Irã, também no sábado. A AIEA diz que "nenhum aumento nos níveis de radiação fora da instalação" foi relatado no local.